STF nega extradição e mantém prisão de russo investigado por espionagem
Corte alegou que investigações sobre supostos crimes cometidos por Sergey Vladimirovich Cherkasov ainda estão em andamento

Camila Stucaluc
O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou o pedido de soltura de Sergey Vladimirovich Cherkasov, investigado por crimes no Brasil e na Rússia. Na decisão, promulgada na quarta-feira (28), Fachin defendeu que as circunstâncias do caso não mostram excepcionalidade para afastar a necessidade de prisão preventiva.
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“Não há elementos para concluir que a prisão preventiva perdeu a sua instrumentalidade quanto à fase executiva da extradição, ao contrário, a necessidade e adequação da medida ainda persistem, diante da ausência dos requisitos para concessão da prisão domiciliar ou restrições substitutivas, sobretudo porque o extraditando foi condenado pelo uso de documento falso, utilizado no contexto migratório”, disse o ministro.
Na mesma decisão, Fachin negou a extradição imediata de Cherkasov à Rússia. Ele alegou que, apesar de ser investigado em Moscou por suposta participação em organização criminosa, o detido “persistiu” na prática dos delitos no Brasil, sendo, atualmente, investigado por atos de espionagem, lavagem de capitais e corrupção.
Quem é Sergey Vladimirovich Cherkasov?
Cherkasov agia sob o pseudônimo de Victor Muller Ferreira e fingia ser um estudante carioca, de Niterói (RJ). Com a identidade, o russo se candidatou em uma universidade nos Estados Unidos, onde permaneceu entre 2017 e 2020. Ele também obteve uma carteira de motorista e um diploma de pós-graduação usando a identidade brasileira falsa.
Cherkasov retornou ao Brasil pouco tempo depois. Ele foi preso pela Polícia Federal em abril de 2022 quando tentava entrar na Holanda com a identidade fraudulenta, sendo condenado a 15 anos de prisão. Nas investigações, contudo, os agentes descobriram que o russo atuava desde 2011 como espião do serviço de inteligência da Rússia.
Após a revelação, a inteligência holandesa também descobriu que, antes de ser pego, Cherkasov havia tentado um estágio no Tribunal Penal Internacional (TPI). Caso tivesse conseguido a vaga, o russo poderia ter tido acesso a documentos da investigação sobre supostos crimes de guerra cometidos pela Rússia na Ucrânia.